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BORNAL DE JOGOS
BRINCANDO TAMBÉM SE ENSINA

** UMA HISTÓRIA QUE VALE A PENA
SER CONTADA
**

Certo dia, em meados de 1995, o garoto Deniston, 11 anos, participante do Projeto “Ser Criança”, em Curvelo – aluno insistente, renitente, persistente e repetente, que ainda cursava a 1ª série do 1º grau –, levou para a sua professora da escola o dever de casa pronto. Ela lhe perguntou:

– Quem fez o exercício para você?
– Eu fiz sozinho.
– Não acredito! Você nunca soube!
– Eu mesmo fiz, tia. Aprendi com um jogo que tem lá no projeto.
– Só acredito vendo. Me traz este jogo!

No dia seguinte, ele chegou ao Projeto e contou o acontecido.

– A tia só vai me dar nota no exercício que eu fiz se eu levar o jogo. Pode?
– Pode, claro!


Ao mostrar o jogo para a professora, ela ficou surpresa:

– Como é que se joga este jogo? (O aluno, então, ensinou a professora a jogar. Foi a primeira vez que ela quis aprender algo com ele).

 

Ela aprendeu, gostou e perguntou:

– Você pode deixar este jogo aqui, para eu ensinar aos outros meninos que não aprendem?
– Não sei, tia. Vou perguntar lá se pode!

É claro que autorizamos o empréstimo, sem nenhum problema. Passados alguns dias, volta o Deniston:

– A tia mandou perguntar se não tem mais e se pode emprestar outros jogos.
– Claro que tem e pode! Leva para ela os que você achar que vão interessar.

E o garoto encheu um embornal de pano com vários jogos que tinham sido criados pelos meninos e meninas do Projeto Ser Criança e levou para a sua escola. Pronto! Acabara de nascer o Bornal de Jogos (jeito mineiro e econômico – como todo bom mineiro – de economizar nas palavras).

Passados alguns dias, chegou a professora, devolvendo o bornal:
- Muito obrigado. Tem mais? Tem jogo para melhorar a escrita e o vocabulário dos alunos? Vocês ensinam a fazer?

Daquele dia em diante, a nossa relação com a escola deixou de ser pela porta dos fundos. Deniston e sua professora abriram as portas da frente da escola para a entrada do Bornal.

 

Organizamos a primeira oficina de produção de jogos em 1996, envolvendo os nossos

educadores e crianças e diversos professores da rede pública. Ao final de duas semanas de trabalho coletivo, tínhamos construído 168 jogos. Isso mesmo: nada mais, nada menos que 168 jogos e brinquedos, criados e adaptados, todos feitos artesanalmente e reciclando materiais diversos. E todos eles apropriados para a educação fundamental do pré à 8ª série, adequados para trabalhar com conhecimentos básicos e temas transversais (ética e cidadania, meio ambiente, saúde, artes, sexualidade, disciplina, etc.).

Não paramos mais. O Bornal de Jogos cresceu e multiplicou-se. Surgiu o Bornalzinho, dirigido às crianças pequenas, e o Bornal da Paz, destinado à formação de jovens. Fomos de Curvelo para Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, e de lá para outros estados e cidades brasileiras. Chegamos até as regiões de Choquoe, Nampula e Maputo, em Moçambique, na África.

Nesses dez anos (1995 a 2005), já produzimos mais de 2.000 jogos e brinquedos. Todos criados e testados, um a um, por crianças, jovens e educadores dos nossos projetos e das escolas públicas de quatro estados (Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Maranhão) e onze cidades (Araçuaí, Belo Horizonte, Capelinha, Carbonita, Corinto, Curvelo, Minas Novas, Turmalina, Porto Seguro, Santo André e Miranda do Norte).


     
 EDUCACIONAL



BORNAL DA PAZ:


BORNALZINHO DE JOGOS:


BORNAL DE JOGOS :








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